Bonjour. O maior medo de toda a minha jornada foi perder o domínio da minha vida, foi deixar que qualquer um tomasse meu tempo, que minhas horas fossem dedicadas ao outro. Sempre usei meu tempo para mim, sempre destinei meus sonhos ao meu ego. E agora sou despida do meu último apego, o meu egoísmo agora não fará mais sentido. Tudo o que há em mim será teu meu filho, nada mais me pertence. Pelo menos nos próximos anos terei de ser tua, e como ficam as minhas figuras? Não sei quanto amor há em mim para suportar tamanha doação, não sei quanta força há em mim para viver tamanha devoção. Que você vem ensinar isso eu já sei, isso estou sabendo porque sigo vivendo, e cada dia, cada semana uma nova escolha nasce e uma certeza morre. Tudo o que senti desde que te vi nos meus sonhos foi a certeza de que nada mais seria solidão, mas também nada mais seria solitude, tudo já é você e eu dançando juntos.
Não tenho medo da dor, não tenho medo das durezas, tenho medo de me perder em um isolamento de amores, tenho medo de por você esquecer os meus louvores, esquecer quem eu sou, quem eu fui. Encarnar o papel de mãe mais do que o de mulher, ser uma pequena flor diante de teus pés.
Mas não se preocupe pequeno, de todos esses medos eu me esqueço se for pra te ver voar, me faço tapete pra não te ver tropeçar.
Não tenhamos receios do que ainda é sofisma.
28 de julho de 2016.
Mãe que me concebeu, você também tinha planos como eu?
O que você fez com os danos que te causei.
Como procedeu quando mais um filho nasceu?
Meu primeiro filho vem vindo e eu mal posso imaginar o que farei com meus livros?
Como seguirei minha vida nos próximos anos?
Como direi pro meu ego que meu tempo não será mais dele?
Que a minha trilha agora é cega e torpe.
Que toda a certeza será sua vinda,
O resto são torturas pré-concebidas.
Como escolher entre este e aquele,
Como adivinhar quais serão os macetes?
Mãe eu não sei mais onde procurar uma escada pra me apoiar.
Todos os meus sonhos morreram neste desterro.
E agora tudo o que vejo é a semente que cresce na minha barriga.
Serei mãe e não mais filha.
Serei ele não serei mais minha.
O último domínio sobre meu corpo se esvai como água-viva.
Nada mais me pertence,
Sou a sombra de uma menina.
Tudo o que guardei no bolso caiu no meio da rua.
Escorreguei em meus próprios sonhos
e te gerei numa noite quente.
Tenho medo de que meu maior trunfo seja sua vinda em tempos descrentes.
Você o nobre e eu a mãe que beija o pé do filho sem dentes.
Juliana S. Müller.
Não tenho medo da dor, não tenho medo das durezas, tenho medo de me perder em um isolamento de amores, tenho medo de por você esquecer os meus louvores, esquecer quem eu sou, quem eu fui. Encarnar o papel de mãe mais do que o de mulher, ser uma pequena flor diante de teus pés.
Mas não se preocupe pequeno, de todos esses medos eu me esqueço se for pra te ver voar, me faço tapete pra não te ver tropeçar.
Não tenhamos receios do que ainda é sofisma.
28 de julho de 2016.
Mãe que me concebeu, você também tinha planos como eu?
O que você fez com os danos que te causei.
Como procedeu quando mais um filho nasceu?
Meu primeiro filho vem vindo e eu mal posso imaginar o que farei com meus livros?
Como seguirei minha vida nos próximos anos?
Como direi pro meu ego que meu tempo não será mais dele?
Que a minha trilha agora é cega e torpe.
Que toda a certeza será sua vinda,
O resto são torturas pré-concebidas.
Como escolher entre este e aquele,
Como adivinhar quais serão os macetes?
Mãe eu não sei mais onde procurar uma escada pra me apoiar.
Todos os meus sonhos morreram neste desterro.
E agora tudo o que vejo é a semente que cresce na minha barriga.
Serei mãe e não mais filha.
Serei ele não serei mais minha.
O último domínio sobre meu corpo se esvai como água-viva.
Nada mais me pertence,
Sou a sombra de uma menina.
Tudo o que guardei no bolso caiu no meio da rua.
Escorreguei em meus próprios sonhos
e te gerei numa noite quente.
Tenho medo de que meu maior trunfo seja sua vinda em tempos descrentes.
Você o nobre e eu a mãe que beija o pé do filho sem dentes.
Juliana S. Müller.
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