domingo, 22 de setembro de 2024

Alexa, o que fazer para superar um desamor?

Você não é o deus do tempo,

descobri isso tarde demais

enquanto eu me apegava ao seu jeito.


Eu aguardei mais tempo do que qualquer razão humana aguentaria para te ver despertar

mas você não despertou.

Eu ainda te amo, é claro.

O amor não se desfez com a minha saída

o amor não se desfez com a sua negativa,

o amor vai continuar vibrando aqui até

eu permitir que outro amor ocupe o lugar que você recusou.


Em verdade te digo, 

olhando aqui agora para esse amor

parece que nunca vou amar alguém assim de novo.

Mas poeta que sou, registrei outros momentos

em que tive o mesmo pensamento,

e cá estou de novo, morrendo de amor, em desassossego.


Você um moreno tímido, de sorriso largo,

o sorriso do Caetano Veloso, 

nisso vocês são iguais,

bahianos e doces bárbaros.


Eu gosto de como suas mãos me tocam,

de como são grossos os seus lábios,

de como você me olha confuso,

de como você me come de lado.


É verdade que eu aprendi amar você por inteiro,

e agora te desamar está sendo um fardo.

Com você eu aprendi novas formas de gozar,

descobri o prazer em vários níveis do sexo.

E obviamente não ter você me comendo

me tira do eixo, e me deixa de cara no chão.


Universo, chega.

Eu preciso de um marido que me ame por inteiro,

que me ame de dia, de noite, e durante o sono.


Quero um marido que saiba me comer de todo jeito,

e me dê o prazer da conversa e o de chupar o meu grelo.


Universo, não me venha com amores suspeitos,

nem amores de inverno, agora eu quero um amor para o ano inteiro.

Um amor que vença as quatro estações ao me lado,

e que eu possa fazer casa em seu coração.


Universo, meu endereço eu anexo no fim do texto,

e por favor me envia logo o marido, que eu preciso esquecer esse moreno.



sábado, 8 de julho de 2023

Deus Viking - o amor é reticências

 

Já diria Florbela Espanca- tu és como deus, princípio e fim.

01/10/2022

Você não precisa saber que,

Eu te espio de hora em hora

Nas gavetas da minha memória

Revisando cada olhar que

Você me lança quando no escuro da sala

Só existe eu e você.


Você não precisa saber que

Eu gozo sozinha em meu quarto

Toda noite que eu não posso tocar

O seu corpo que é meu altar

Ao qual eu me ajoelho

Só para poder arrancar

Desses profundos olhos abismais

Um gemido que alimente meus versos.

E cada vez que os encaro 

É como se estivesse olhando

Diretamente para um buraco negro

Onde tudo é princípio e fim

Como o deus que você não admite

Mas que eu reconheço e confesso

Os meus segredos.


Você não sabe

Mas eu já decorei cada

Pedaço da sua pele tatuada 

Onde desenhei o mapa dos teus beijos

Para saber o ponto exato em que 

Começa e termina o teu desejo.

E nisso não creio anseios

Apenas desfruto de cada

Gozo que o seu toque gentil 

Causa em meu corpo

Que estremece por não resistir

À esse todo que é você.


Você não sabe,

Você não precisa saber.

Dos segredos velados

Que eu tranquei 

Antes de saber de você.


Tudo é pouco e raso

 à divindade

Que eu sinto

quando eu encontro o teu ser.


Eu te (re)conheço, meu bem,

E esse sangue viking que corre em você 

Ressoa como martelo quando eu lembro

do teu beijo ao me receber.


Juliana S. Müller

Ponto final

Eu sei,

eu te dou medo

te tiro do centro

e te arremesso contra o espelho.

Eu sei 

que você precisa de oráculo para me decifrar 

De um intervalo para assimilar

Os versos que eu escrevo em você com meus beijos.


Mas eu decidi te dar tempo para encontrar

as ferramentas que te ensinarão a ler o meu texto

e a entender a intensidade do meu sexo.


Eu não uso tradutor

por isso escancaro meu verbo

e não há nada nele de metafórico, 

que possa confundir o meu desejo.

Eu sou o verbo literal,

se eu te conjuro amor

é porque já passou meu carnaval

e agora quero sossego em teu peito.


Juliana S. Müller

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Errei o ponto

21/04/04 sexta-feira 

Eu nem sei porque eu insisto em você 

Se você nem existe em mim.

Eu persisto em existir pra você 

mas desisto de um amor que nem começou 

E já veio o fim.


Eu vi em você o potencial de um amor,

Mas o que eu senti de você 

Foi a troca sexual.

E hoje continua ressoando,

Mesmo depois de uma semana exaustiva.

Mesmo com mercúrio retrógrado.

Tudo o que eu sinto é a sua onda 

Chegando e me enchendo de algo

Que eu ainda não sei o que é.


Você me encheu de interrogação 

Me deixou de cara no chão e

logo eu que conduzo todo verbo

Acabei caindo em tentação.

Será que ainda terei redenção?

Ou não?


Por Juliana S. Müller

terça-feira, 11 de abril de 2023

o AMOR é burguÊs

 Desde meu último amor

todas as minhas amigas 

tentaram adivinhar qual seria o meu próximo muso inspirador.

Algumas apostaram que meu amor seria irlandês

outras marombês. 

Teve quem apostou no camponês, argentinês,

Mas anos após o Japonês 

ninguém chutou que meu amor seria BurguÊs

Justo eu que só me deito com homens sem classe

Eu que de nobre não tenho sangue nem nome, 

Acabei completamente de quatro por um romântico burguês.


Eu não deveria estar queimando tempo escrevendo versos

para você,

mas acontece que meu coração que não paga a conta

não sabe o preço que custa para te ter.


Eu devia estar editando vídeos, 

mas estou  aqui cantando sobre você

nesses pobres versos proletariados

que nem um pobre moribundo

como tantos que eu me deitei

seriam capazes de corresponder

imagina um Lord como vos mercê.


Do capítulo O amor é Burguês


Juliana S. Müller

domingo, 9 de abril de 2023

O INESPERADO (Chanel)

Quando o mundo está de ponta cabeça, onde está o norte?


Eu ainda não tenho certeza se você vai virar poesia

Tudo naquela noite me pareceu surreal 

Todas as palavras trocadas 

Todos os risos, os gestos, as sinceridades

Tudo ficou nebuloso

e a única certeza que eu tenho foi o do teu cheiro e do teu gozo

Lembro do momento em que senti teu cheiro

Você gritou o nome do perfume,

CHANEL

Eu ri e disse que era uma delícia,

mas eu já não sabia se falava do perfume ou da companhia.


Eu não faço ideia do que me encorajou a te cantar

Mas ao te olhar me pareceu óbvio que a nossa noite acabaria 

com nossos corpos entrelaçados em alguma cama.

E quando a nossa noite decididamente resultou na sua cama

E eu pude ver de perto a cor da sua alma

eu quase congelei...

Nada, absolutamente nada me impressiona nesse mundo

apenas a doçura das almas e a mente intelectual

E quando senti a sua doçura eu derreti

mas quando descobri a sua mente

eu entendi, que não estava em um date casual.

E isso me virou do avesso, e eu acabei de quatro na frente do espelho.


Você não deveria ter me falado sobre Rupi Kaur

nem ter me embalado ao som de Sinatra ao nos despedir

Você deveria ter colocado um ponto final ruim como

qualquer homem deste estéril oeste.

Mas você tem um espírito cosmopolita

e entrou onde ninguém consegue ultrapassar em mim.

E agora meu querido onde era pra ser ponto final

você deixou a reticência,

não sei se foi erro gramatical ou licença poética

Mas agora você cravou em mim o desejo do verbo

e eu só me calo quando a sua boca gostosa me pedir.


... Continua

Juliana S. Müller


quinta-feira, 30 de março de 2023

 Buenas leitores inexistentes de uma escritora mais omissa ainda.


30.03.2023


Eu fui engolindo.

1 2 3 amores

Alguns tive que digerir na mesma estação

nem pude esperar findar primavera e verão.

Mas esses amores em verdade não foram

digeridos, foram apenas sendo engolidos

Não era viável que eles existissem em mim.

Então fui arrancando um a um e jogando

na boca do estômago na esperança que acabassem no reto.

Mas eles subiram pela boca e entalaram no meu pescoço.

Dali não sobe pra cabeça, nem descem pro peito.


E de tanto engolir amores

acabei entalando de um jeito

que mal começo a amar alguém

e logo acabo vomitando o sujeito.

Justo eu que,

exorcizei demônios,

mandei embora encostos

Não consigo fazer sumir

esses amores que engoli.


E agora José qual o conselho?

Me arranco pra um retiro

ou arranco pescoço inteiro?


Juliana S. Müller

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

c'est ça

 Sem
energia
pra 
ir
até
você.
Porque
estou
queimando
combustível
pra 
chegar
até
o centro
de 
mim.


sábado, 13 de junho de 2020

O ausente não é real

Eu venho.
você vai.
Um canto
um desencanto
e eu já não sou mais
a mesma de antes
nem a do amanhã.
Meu corpo permanece
minha mente voa
Meu corpo nessa cidade
minha mente na outra

As coisas só existem para mim quando elas
se distanciam, já não são mais
Abandono-as sem saudade nem comoção
Apenas o que está na distância dos meus olhos permanecem
Tudo o que minhas mãos não podem tocar desaparece
são gavetas fechadas que não abro
Já não posso existir diferentemente
Nem meu filho deixa de existir.
Se não estiver sobre minha pele
Eu amo e estremeço
Desamo e escrevo.
O fluxo
eu deixo fluir
Não perco mais
só ganho com o existir
Vocês passam seus olhos por mim
Eu beijo suas bocas
isso é fácil
isso é comezinho
Difícil é transar com ideias
que não valem mais do que um prato de sushi.
Com uma abocanhada se acaba e não resta mais nada para nutrir.

Do quê eu estou falando?
Eu não sei,
apenas deixei a linha desenrolar
nem tudo é linear
alguns nós estão aqui pra nos fazer engasgar
outros pra nos redimir

Eu estou só
e estou completamente apaixonada pelo existir.

De sua Juh...

domingo, 12 de abril de 2020

Bom dia meus leitores e amigos, como estão os seus ânimos?
Eu apenas ando, sem roupas, sem máscaras, estou indo, não sei para aonde, mas vou e sem parar.
Meus ânimos?
Ah eles oscilam, da mais pura alegria ao melancolismo dos dias.
E com isso eu faço música, escrevo poemas, divirto a minha cria.
Não obsessiono com nada, apenas deixo as coisas existirem, porque se organizar direitinho dá pra sentir tudo e ainda ficar sã.

Tenham um lindo dia.

bisous.

11 de abril de 2020.


Não tenho mais versos pra vocês,
Parece que novamente virei prosa.
E a cada cinco anos acontece em mim um revira volta.
Há cinco anos eu enlouquecia.
Há cinco anos eu era uma menina
Que recém nascia.
Hoje eu sou uma Dama
já não enlouqueço mais
Mas continuo nascendo.
E todos sabemos que gestar não é fácil,
e que o parto é sempre dolorido
podendo variar de dias a horas.
Mas quando conseguimos tirar a cabeça
e vislumbrar a luz de fora novamente
e respirar o ar com os pulmões mais fortes que outrora
É uma ação que nos revigora.
E desse parto que estou vivendo
não sei o que nascerá agora.
Mas sinto as contrações da partida
e sei que é chegada a hora de sair desta casa
que com muito amor me gestou.
E a cada nova partida, sinto mais a dor da saída.
Deveria ficar mais fácil,
mas já quase não tenho forças pra sair.
A única razão que me motiva a continuar
escorregando pelo caminho a fora
é a certeza de que tempo demais no conforto do útero
também te mata, te sufoca, te afoga.
E com essa certeza eu impulsiono meu pés
e confio na intuição do coração
porque a mente...
A mente me sabota.


De sua Juh...

domingo, 22 de março de 2020

Adeus

Corri os olhos no quarto,
nada me faria ficar.
Nem os livros na estante,
Nem os vinils do Caetano.
Nem o autógrafo do Oswaldo.
Tudo era memória,
tudo era redundante.

Dei voltas na casa,
e tudo continuava insignificante.
Nem nas gavetas da memória
encontrei motivo para parar.

Então abri a porta e dei adeus a ela,
E quando a porta fechou ela ficou
congelada em algum lugar daquela foto antiga na parede.
Porque eu fui,
e desci as escadas firmemente.

E quando encontrei todo o céu,
tive a certeza de que só havia sentido
na vida ser um ser mutante.
E eu mudava a cada passo dado,
a cada imagem resetada do passado.

A cidade foi ficando para traz
e não havia saudade
Só alívio
em não ser mais aquela personagem
em deixar os rótulos, 
e vínculos que me transformaram profundamente.

Agora eu estava nua,
Sem símbolos, sem nomes
Apenas eu e a minha loucura
Nós duas atravessando mundos
construindo novas pontes.
Nos alterando infinitamente
porque infinito é o desconhecido
é o que eu não alcanço com a minha mente.

Rumo ao desconhecido
que é exatamente o caminho
que me instiga
que me leva à frente.

E seguindo o fluxo do mundo
mergulhei em seu ritmo acelerado
deixando que meu corpo fosse levado
para todos os lados.

A única lágrima que derramei
foi quando senti toda a leveza da vida
e senti-me completamente grata
por estar viva e consciente.

Estou sentindo todos os sabores
Todos os cheiros
todas as texturas epiteliais
e isso não me adormece
isso me desperta pro ser cósmico
que é inerente.

Ser vivo.
É estar presente.

Eu continuo caminhando,
Eu continuo semente.

Juliana S. Müller

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

fui indo,
caminhando
deixei as rédeas
e o que aconteceu
foi que parti
parti de tudo que me retinha
e o resultado foi que cheguei em mim
Parei de ter medo,
parei de contar dinheiro
De procurar por amigos perdidos
De omitir.
Virei pública,
sem segredos
sem medos de existir
E agora há uma combustão
estou a ponto de explodir
todos que me vêm
não sabem como me definir
mas pressentem um movimento
que sai de dentro de mim
como uma bomba atômica que implode pra depois explodir.
Há em mim uma fusão de ideias
que estão a ponto de tocar o céu.
E esses olhos que me seguem
sabem que não serei a próxima estrela nesta tela de faces suspeitas.

de tudo isso o que eu posso afirmar é
já passei pelo big-bang,
já estou acelerando pelo universo
só não sei onde tudo isso vai me levar,
mas o importante agora é prosseguir nessa força
que me leva e na qual eu confio cegamente
sem nada que me free e me faça desistir.

Obrigada cosmos,
obrigada seres de luz por me ensinarem a persistir.

Juliana S. Müller

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Recuerdos de Verano

Buenas tardes leitores e amigos, o poema de hoje é um regalo de uma amiga querida que eu tive o prazer de encontrar na minha deliciosa viagem no início desse ano.
O poema descreve docemente nosso encontro e as impressões dela sobre mim.
Desde Argentina Para Brasil.

Enero 2020 (A mi fofoqueira)
Cuesta saber qué es verdadero, cascabel.
Verdadero,
La Verdad:
tu sonrisa blanca llena de dientes blancos
tu voz grave cascabela.
Casca Bella.
Doce personas en una habitación y tu brillo.
Sin filtros una noche nos sentamos afuera y te recostaste en el banco mientras revisaba mi celu.
Una historia de instagram hiciste,
y yo me quedé ahí, en tu nube.
Sé que quedé más allá de la inmediatez, permanecí.
Creo que nuestro momento épico fue cuando fofoqueamos sobre una señora de bien y una crianza, probablemente nunca develemos aquel misterio.
No te quise de entrada Juliana, lo sabés.
Pero no tardé mucho en hacerlo,
el encanto se apoderó rápidamente de nosotras.

Ahora somos dos que se quieren en la distancia.

Virginia

domingo, 27 de outubro de 2019

DOMINGO 27 DE OUTUBRO DE 2019

Estou girando
no meio da rua
com os braços abertos
uma música toca na minha cabeça
"eu pedia me levaaa"!
E não é solidão
é plenitude
é total liberdade
É explosão do cosmos
É uma vida de escolhas.
Eu escolhi ser livre
E girar com o voo dos pássaros
Correr para dentro e fora de mim.
Sem medos,
eu não quero medos
Eu não quero ter que escolher
Eu só quero ir.
Por que no fundo eu já escolhi
Eu me escolhi.
Eu posso agora,
e agora eu vou ser.
Carnavalizar
Poetizar
Escandalizar
Apontar para mim
Uma vida cheia de possibilidades
Eu não ligo para a idade
Eu só quero a sanidade
não a santidade.
Vulgar é a fome, a miséria
O sexo é apenas a mecânica dos corpos
O vazio já o conheço
E dele não espero mais embeber.
Fazer Amor eu já fiz.
Agora só quero paz
E não sucumbir ao ego.
Estou me cuidando
Estou me amando
E não vejo nisso mal maior

Quero estar só comigo.

Juliana S. Müller

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O amor é reticências

...

Não abdicarei de todas as possibilidades
de todas as vaidades
estou bebendo de todas as taças
e não vejo nisso mal maior 
do que embriagar-me
enquanto me permite a sanidade.

Um dia sol, um dia chuva,
e para tal inconstância
um amor a cada dia
um idioma novo
a cada semana uma nova trilha sonora
que nós compomos
com os ritmos que nossos corpos desprendem

Não viverei se não for pra ser livre.
Não amarei novamente se não inteiramente
Amores pela metade já amei antigamente
Agora sem pressa, sem ser pretensa
apenas sinto os ritmos que nunca dancei
os corpos que nunca abracei
os sons que nunca ouvira
Estou experimentando cada sabor
com a minuciosidade de um crítico culinário.

Não quebrarei as taças
não escarrarei nos sapatos
apenas pousarei de flor em flor
enquanto nenhum néctar despertar em meu paladar
o desejo de por ele até o fim dos dias ser alimentado.

Nada me assusta mais do que ter as asas arrancadas
depois de ter o voo alçado.
O amor é o todo,
o amor é livre 
é oceano
e não aquário.

Juliana S. Müller

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PERA, PÁRA.



Pausa.

O som pausa.
O voo cessa.
A chuva escassa.
O sol regressa.
A criança cresce.
A árvore floresce e seca.
A formiga acumula e hiberna.
O animal corre e repousa.
Só a máquina não entende dos fluxos da natureza.
Só a máquina trabalha ininterruptamente sem sentir as falhas do seu sistema.
NÓS SOMOS NATUREZA,
NÃO SEJAMOS ROBOTIZADOS.
NÓS SOMOS ESPÍRITOS ENCARNADOS.
NÃO SOMOS CARNES ESPIRITUALIZADAS.
É POSSÍVEL SER HUMANO,
PARA TANTO
BASTA RESPEITAR O SER.
A CONSCIÊNCIA ESTÁ NO SER
NÃO NO HUMANO.

Juliana S. Müller

sábado, 7 de setembro de 2019

Relacionamentos

Bonjour mes amis et lecteurs, um poema pra não dizer que não falei dos relacionamentos pulsantes aqui e aí, na sua e na minha mente. Só estamos aqui pra aprender a nos relacionarmos com toda essa gente que também é a gente, então só podemos aceitar uma verdade, aprender a amar todos os dias e infinitamente, porque como diz o mestre, infinito é o desconhecido, infinito é até aonde não alcança a minha mente.

BISOUS.



Eu pousei aqui e ali,
e não me demorei mais que dez anos.

Não pousarei mais aqui e ali
se não for para não permanecer.

Todos os pousos que farei
logo levantarei voo.

Não alçarei voos
se não for pra perder o fôlego

Não perderei o fôlego
se não for pra morrer de novo.

Não morrerei de novo
se não for pra renascer fênix

Não renascerei fênix
se não for pra alçar voos rasantes

Não farei voos rasantes se não for
pra correr o risco de conhecer um novo lugar a cada instante.

Posso morrer e renascer,
mas não sem as asas que 
me permitem voos alucinantes.

Quando se trata de relacionar-se
não existe perda de tempo,
o que existem são novos tempos.

Juliana S. Müller



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

TPM

Um poema para todo mundo que já viu uma mulher enlouquecendo na TPM, seja de prantos, de melancolia, de raiva, de qualquer sentimento extremo que normalmente não seria motivo para tanto, não seria nada mais que brisa ao ouvido.
Tenhamos empatia pelas fêmeas. Fêmeas, busquem dentro de si equilíbrio, acalmar a alma nesses dias evitam muitos ruídos na mente.

Paz.kkkk



Não pira.


Mas toda semana que a tensão vem

eu me encolho,
perco o controle das emoções
fico crua, nua, escancarada
é duro demais.
é oscilante demais
dá vontade de chorar
de rolar no asfalto
de queimar a carne
de esfaquear o coração
de apertar o outro que falta
encurtar as distâncias
é como ser bicho
puro instinto

É um abandono total do ser digno

é um desequilíbrio que harmoniza
o meu ser com a minha carne
é um sentir demais
processar demais
todas as coisas que passaram incólumes nos dias normais.

Eu existo com todas as minhas forças

com todo o meu coração em expansão
Passo os dias e as noites roendo os dedos,
desejando você vindo até mim
me tirando dessa carência
Me apertando nessa cama
fazendo ninho comigo
desenhando no meu umbigo com o seu dedo
Eu deliro
eu imagino e
multiplico tudo o que já vivi
Nada é natural nesses dias
Tudo é exaltado demais
Todas as vozes são estridentes
as músicas canções que me arrancam lágrimas.
É estranhar a dor que sai das entranhas
Mas é tudo ficção
Tudo drama da menstruação.

é só mais uma típica semana que passa sem remédio

Que deixa como marca ,
o vermelho no chão do banheiro.

Ser fêmea é isso,

nada é o mesmo.
Nem o corpo
nem os desejos.


Juliana S. Müller


terça-feira, 13 de agosto de 2019

O amor é japonês

Terça-feira, dia 13/08/2019

Todas as manhãs desperto no Japão.
Sento-me rente a janela, e observo.
Estou só.
Nesta casinha que é nosso lar.

Você já saiu,
me deu um longo beijo e se despediu.
foi trabalhar.

Eu passeio meus olhos pela paisagem lá fora,
é primavera.
Todas as cores sorriem para mim,
Não vejo mais aquele verde do soja.
Mas saboreio o seu gosto em todas as refeições.

E não posso deixar de pensar
que talvez aquele soja plantado em meu quintal
seja esse que tempera o nosso jantar.

Já diferencio as nacionalidades.
Os coreanos, os chineses e os japoneses
Já encontro em seus idiomas singularidades.
Já decifro seus rostos, seus corpos, suas habilidades.

E me destaco no meio de todos,
com as minha brasilidades.

Nunca me imaginei em terra tão estranha a mim.
Tão destoante de tudo o que já fui,
de tudo o que já projetei.

E hoje ao olhar pela janela
não estranhei mais as ruas,
nem as árvores,
não senti mais os abismos
Sinto que as pontes foram criadas
e agora já posso atravessá-la sem temores.

Todo esse equilíbrio tão ocidentalmente teorizado
no Japão é concretizado.
Tudo é harmônico e respeitado.

Sou aqui uma outra,
a escritora.
A buda.
A não carnavalizada.
Sou mais espírito e menos carne.

Encontrei no oriente,
o que jamais poderia no ocidente
O silêncio que não me entendia,
O silêncio que me acalma.

Juliana S. Müller

quinta-feira, 4 de julho de 2019

da série, o amor é japonês.

Bonjour mes amis, um poema apaixonado, apaixonante pra vocês saírem da abstinência.

Bisous.

...você me dá medo,
contradiz o meu senso.
Me tira do centro,
me joga de boca no chão,
me atropela com sua educação,
me traz anseios,
me devolve aos meses prósperos de um setembro,
porque julho era insosso,
agora julho tem o teu gosto,
e um poema feito em cinco minutos de intervalo,
entre seu beijo e meu pescoço...


Juliana S. Müller