Você não é o deus do tempo,
descobri isso tarde demais
enquanto eu me apegava ao seu jeito.
Eu aguardei mais tempo do que qualquer razão humana aguentaria para te ver despertar
mas você não despertou.
Eu ainda te amo, é claro.
O amor não se desfez com a minha saída
o amor não se desfez com a sua negativa,
o amor vai continuar vibrando aqui até
eu permitir que outro amor ocupe o lugar que você recusou.
Em verdade te digo,
olhando aqui agora para esse amor
parece que nunca vou amar alguém assim de novo.
Mas poeta que sou, registrei outros momentos
em que tive o mesmo pensamento,
e cá estou de novo, morrendo de amor, em desassossego.
Você um moreno tímido, de sorriso largo,
o sorriso do Caetano Veloso,
nisso vocês são iguais,
bahianos e doces bárbaros.
Eu gosto de como suas mãos me tocam,
de como são grossos os seus lábios,
de como você me olha confuso,
de como você me come de lado.
É verdade que eu aprendi amar você por inteiro,
e agora te desamar está sendo um fardo.
Com você eu aprendi novas formas de gozar,
descobri o prazer em vários níveis do sexo.
E obviamente não ter você me comendo
me tira do eixo, e me deixa de cara no chão.
Universo, chega.
Eu preciso de um marido que me ame por inteiro,
que me ame de dia, de noite, e durante o sono.
Quero um marido que saiba me comer de todo jeito,
e me dê o prazer da conversa e o de chupar o meu grelo.
Universo, não me venha com amores suspeitos,
nem amores de inverno, agora eu quero um amor para o ano inteiro.
Um amor que vença as quatro estações ao me lado,
e que eu possa fazer casa em seu coração.
Universo, meu endereço eu anexo no fim do texto,
e por favor me envia logo o marido, que eu preciso esquecer esse moreno.