O amor é uma torre fria e metálica no meio da cidade
Assim como os seus olhos de Denzel Washington que me
seguem por todos os cantos de Paris.
Que atravessa o oceano atlântico e
vem todas as noites repousar em mim.
Me preveniram contra a hostilidade dos parisienses
contra os furtos surdinos dos pickpockets,
mas ninguém me avisou dos amores que nascem em Paris.
que nos arrebatam no meio do Louvre
e abrem na gente um espaço que nenhuma obra de arte
seria capaz de preencher.
O amor por um francês é um frio mesquinho
que vem cheio de adjetivos belos, mas some em 24 horas
assim como as mensagens temporárias que você ativou para borrar qualquer vestígio da minha existência íntima em você.
Um amor que não quer ser lembrado,
é um amor que entende-se proibido, vexado
que não quer ser compartilhado.
Enquanto escrevo esses versos, percebo que nossos encontros
nunca existiram na calada da noite,
nunca entraram pela minha porta
nunca esqueceram restos de uma noite de sexo em mim.
Todo esse amor foi uma criação cinematográfica que nem François Truffaut seria capaz de criar.
Um poema que Baudelaire teria escrito em uma noite de ópio e esquecido em um guardanapo na mesa de um bar.
Assim também é o nosso amor, sem vestígios, sem memórias, uma invenção da louca Paris
que nos encanta com seus ornamentos arquitetônicos
e depois nos devolve ao nosso mundo contemporâneo com os minúsculos souvenirs.
Você foi uma invenção luxuosa que eu me permiti viver
só para completar esse poema e imprimir seus olhos blasés aqui.
Você não é um homem misterioso, reservado,
é apenas um covarde com passaporte diplomático.
Que diz lutar batalhas difíceis demais para eu conceber,
mas se encolhe diante do meu amor.
Eu e você poderíamos ser um filme de Godard,
mas você não teria coragem me encarar nos olhos e ir até o fim.
por isso te deixo aqui,
entre em um verso mal escrito e a luzes de Paris.
10 de maio de 2026
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